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Gustavo Almeida

OPINIÃO | Joel não pode deixar que o 'coitadismo' vire mote de sua campanha

Campanha do candidato de oposição precisa, sim, abordar a origem pobre do político e apostar no sentimento, mas é preciso ter sensatez e equilíbrio.

Joel Rodrigues durante anúncio de candidatura ao Governo (Foto: Laura Cardoso/DitoIsto)

A candidatura do ex-prefeito de Floriano Joel Rodrigues (PP) ao Governo do Piauí é competitiva. Por mais que alguns políticos governistas apaixonados – e eles não são tantos assim – tentem passar a ideia de que a reeleição do governador Rafael Fonteles (PT) será um passeio, quem analisa o cenário eleitoral com sensatez percebe uma outra realidade, sobretudo quando se observa o processo em perspectiva.

Isso não quer dizer, porém, que o favoritismo, ao menos até aqui, não seja do atual governador. 

Apesar do potencial eleitoral de Joel, o pré-candidato oposicionista precisa ter muito cuidado para que o discurso de origem pobre não se torne o seu principal mote de campanha. É claro que as raízes, filho de um carroceiro e de uma dona casa da zona rural de Floriano, é parte relevante da trajetória de Joel que conferem a ele um perfil totalmente oposto ao do governador. A pobreza vivida na infância e na adolescência certamente ajudou a moldar o estilo carismático e popular que marcam o pré-candidato.

Mas, em alguns momentos, a impressão que fica é que há um exagero no uso desse discurso. A equipe de comunicação do pré-candidato da oposição precisa buscar um equilíbrio, de forma que a trajetória do menino pobre não seja usada à exaustão. No dia do anúncio de Joel como candidato, ele próprio passou um longo tempo citando episódios de dificuldades vividas, chegando a relembrar, inclusive, a ocasião em que uma jumenta atolou quando voltava da roça. Já ali, naquela ocasião, ele poderia ter encurtado os relatos penosos da sua trajetória.

Não há como a campanha de Joel deixar de trabalhar a origem simples dele, principalmente quando se sabe que o seu principal oponente é um menino nascido rico, que foi precoce no sucesso acadêmico e, da mesma forma, no mundo dos negócios. E que sucesso! Rafael, o adversário de Joel, é um rapaz que ao longo de toda a vida não teve contato com as dificuldades enfrentadas por quem está na base da pirâmide.

Como já dito, a campanha de Joel deve abordar sua origem e apostar no sentimento contra a estrutura, mas é preciso ter sensatez e equilíbrio. Joel, assim como qualquer candidato majoritário que se preze, também precisa ser apresentado como alguém capaz de governar com eficiência e oferecer uma alternativa concreta de desenvolvimento do Piauí. Para além do carismático e popular "filho do carroceiro", é preciso que ele se mostre um homem público capaz, com boas propostas, boas ideias e com experiência e maturidade para ocupar o cargo mais importante do estado.

Já que se propõe a ser alternativa ao modelo petista que está perpetuado no Palácio de Karnak há 23 anos, Joel tem que apostar na esperança de mudança e nunca no coitadismo.

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